Na Assembleia Legislativa da Madeira, podem entrar e sentar-se no hemiciclo, pessoas com graves deficiências de educação.
"Embrulhado" num fatinho Armani ou Hugo Boss, acompanhado com uma gravata de seda pura, que não só pode, como deve ser "made in China"; um deputado da "Situação" pode usar do português mais vernáculo, para enxovalhar outro da "Oposição", mesmo que seja uma senhora.
Mas na ALM, não é permitida a entrada a jornalistas com indumentária composta por jeans e sapatilhas. Na ALM, não é permitida a presênça de um deputado eventual, com fato proletário, e um desproporcional e inestético relógio de parede de cozinha pendurado ao pescoço.
O "Camarada", comunista, e deputado do PND a prazo de dois meses, (vejam notícias e fotos do deputado "Big Ben", aqui: http://pravdailheu.blogs.sapo.pt) protestava contra o tempo que a "Casa" governada pela maioria PSD/M lhe atribue para falar: 2 minutinhos apenas. (Ai se todos os deputados da ALM, só falassem em cada intervenção apenas 2 minutos, que nos poupavam a tantas cenas tristes) Neste protesto contra o "tempo" o "Camarada" fazia-o com um objecto de medir o tempo, ao pescoço. O relógio não era um rolex nem um omega, era uma coisa barata e enorme, com um mecanismo pobre; uma pilha, uma bobine e pouco mais.
Os sintomas são claros. O diagnóstico é óbvio: o protesto é "pimba". Logo indigno de um lugar tão solene como a ALM, embora não faça sessões solenes para um qualquer "senhor Silva".
Inábilmente, o presidente da "Casa" em exercício: pimba! Tenta expulsar o "deputado Big-Ben". O pessoal da "Situação" abandona a sala, provocando falta de quorum e o consequente encerramento da sessão. Isso dá ao episódio e ao protagonista, a dimensão que os cérebros do protesto queriam.
Com tudo isto vem-me à memória, não uma frase batida, mas uma história com alguns anos: um jornal local, numa época balnear, fazia um lote de perguntas a várias figuras da nossa praça, que depois publicava na sua revista ao fim de semana. Quando foi a vez do músico Artur Andrade, entretanto já falecido, e à pergunta, "Retirava o mandato a algum deputado?" Artur Andrade respondeu: Retirava sim! Ao deputado Artur Alberto (não sei de quantos) Andrade. Jornalista: "Mas esse é o seu filho..." Artur Andrade: "Precisamente por isso! Aquilo não é lugar para um rapaz educado".
Segundo não o Regimento, mas a vontade da "maioria", também não é lugar para deputado proletário, com relógio de cozinha ao peito. É que o relógio é apenas isso, um relógio; mas o portador é uma "bomba".
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