NÃO HÁ NADA PIOR DO QUE SER ELOGIADO POR UM CANALHA. Robert Shumann
Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
O HOMEM QUE COMIA BOLO-REI COM A BOCA ESCANCARADA

Prof. Martelo, é legal um cidadão que come bolo-rei com a boca toda escancarada ser Presidente da Republica? É! Sabe, eu sei a quem se está referir: quando o cidadão de que fala, se candidatou a PR, foram levantadas algumas dúvidas em termos de legalidade constitucional. E o cidadão em causa pediu-me um parecer jurídico sobre a matéria.

 

Mas...não me diga Prof.. que lhe arranjou um parecer favorável? Digo digo! Então o meu amigo não sabe que o cliente têm sempre razão?!  Pois pois, estou a ver Prof....! E isso é correto Prof.? Não! Mas pode-se fazer!? Pode!

 

É assim, que num país da periferia da Europa, o homem que comia bolo-rei com a boca escancarada, se tornou Presidente da Republica.

 

O periférico presidente que é também o homem que comia bolo-rei com a boca toda escancarada, lamentou há dias publicamente que a sua esposa recebia de pensão uns míseros oitocentos euros. E disse ainda, que a pobre coitada, dependia dele. Infeliz senhora. E olhem que a infelicidade da senhora que é esposa do homem que comia bolo-rei com a boca toda escancarada, não o é, pelo facto de receber de pensão qualquer coisa como oitocentos e poucos euros; que é qualquer coisa como dois ordenados mínimos no país do qual é presidente o homem que comia bolo-rei com a boca toda escancarada, que é coisa que pasme-se: ele precisa que lhe digam, pois não sabe. A maior infelicidade da infeliz senhora é a sua dependência. todas, ou quase todas as dependências, mais tarde ou mais cedo dão para o torto. Mas a pior e insustentável infelicidade de um ser humano é o seu sustento depender de outrem. E a suprema humilhação é: quando quem a sustenta se lamenta publicamente por esse facto.

 

Não vou aqui emitir opiniões sobre o que disse o homem que comia bolo-rei com a boca escancarada e a sua declaração de rendimentos: preocupa-me mais a infelicidade de um povo não ter memória e eleger e reeleger para seu presidente o homem que comia bolo-rei com a boca toda escancarada, sabendo que lhe calha a fava.

 




Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
O QUE ELES DIZEM

Luís Filipe Meneses, ex-presidente do PSD e actual presidente da Câmara de Gaia; chamou há dias arruaceiro a um sindicalista. E disse mais, em tom de desafio: o governo pode ter medo de si, mas eu não tenho medo de si.

 

Conclusão: Se calhar, em vez de um arruaceiro, temos dois.

 

E o pirata sou eu! 


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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011
EXCEÇÃO

Sócrates foi afastado do poder pelo voto do povo. Em Espanha, o seu amigo Zapatero seguiu-lhe o caminho. Em Itália Berlusconi foi obrigado a deixar o poder e a ir dar música para outros palcos. Na pátria dos Deuses (Grécia), um Deus qualquer, libertou  George  Papandreou, mas manteve o país no Purgatório. Tudo vítimas da crise, de si próprios, ou de  décadas de erros acumulados.

 

Na "Ilha dos Amores" como lhe chamou Camões, a exceção continua. Um regime de exceção, protegido por leis e comportamentos de exceção e pela paciência de um povo excecional: não cai. Apesar de, durante o seu longo "reinado", pedir constantemente o alargamento e aprofundamento da autonomia: acaba agora, de entregar de corda ao pescoço, mansinho, a autonomia conquistada ao longo de mais de trinta anos. Apesar de por dá cá aquela palha pedir a demissão de quem o incomoda: não se demite.

 

E o povo? Onde pára o povo que nem o vejo nem o ouço?

 

Como em tudo na vida: até um dia.


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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011
QUERO QUE "ALIMPEM!"

Quero que alimpem! Quero que alimpem!

 

Era assim, que, segundo a minha mãe, eu, quando era pequenino e andava com o pingo no nariz, pedia para me higienizarem o corta vento.

 

Não sei que idade tinha, porque ainda não tinha idade. Foi num fim de tarde, na altura das sementeiras: os meus pai andavam no Vale D`Armalho. Ao fim da tarde, como eu era pequenino e andava devagar, mandaram-me ir andando pelo estreito caminho, de regresso a casa, enquanto aproveitavam mais alguns minutos na sua labuta. Já era dalpardo, que era como naquele tempo, as pessoas daquele tempo, chamavam ao lusco-fusco especialmente nos meses da primavera, momentos em que as coisas perdiam as formas definidas e adquiriam outras mal definidas. Uma árvore, um arbusto, uma rocha, passavam a parecer outra coisa. Os hábitos e os termos antigos são como os dinossauros. Dalpardo é um dinossauro. Extinguiu-se. Já ninguém sabe. Já ninguém diz.

 

Engonhei quanto pude para não ir andando sózinho, mas a voz autoritária de meu pai obrigou-me a pôr-me a caminho. Como era muito pequeno, os muitos trilhos, dos muitos rebanhos de cabras e ovelhas confundiam-se com a vereda e despistaram-me. Dei por mim à beira da mina do Ti Zé da Bárbara. A mina como lhe chamavam, não era bem uma mina, mas uma vala estreita, com dois metros, ou talvez mais, de profundidade, e vários de extensão, para captação de água para rega, num pequeno e estreito barroco. Tinha algum mato nas suas estreitas margens que a camuflavam. Uma autêntica armadilha para um ser da minha idade. Assustado, recuei e desci à procura do caminho que passava junto à entrada da mina, onde represavam a água e a partir daí regavam. Foi nessa altura e situação, que segundo o relato de minha mãe, ela e o meu pai me foram encontrar, repetindo sem parar: Quero que alimpem! Quero que alimpem! Minha mãe garantia e meu pai confirmava, que eu não andava com o pingo no nariz. Era o meu pedido de socorro, que resultava sempre que necessitava de ser assoado. Se resultava numa situação, podia resultar também naquela que era bem mais aflitiva.

 

Hoje volto a dizer: Quero que alimpem!!! Quero que alimpem!!!

 

Sujámos tudo. Despejamos lixo por todo o lado: no meio das mais belas paisagens. Nos rios e nos mares. Nas TV´s, nas rádios e nos jornais. No ar e no espaço. E pior: Os responsáveis pelos países deste mundo, lixaram tudo.

 

Quero que alimpem!!! Quero que alimpem!!!

 

Na Região Autónoma da Madeira, o deputado, primeiro do PND e agora do PTP, José Manuel Coelho, nas ultimas eleições presidenciais, em que ele próprio foi candidato, arranjou uma vassoura enorme e levava-a consigo para todo o lado, dizendo que era para limpar a corrupção e os políticos corruptos e incompetentes. Mas, ao que parece, até o intrépido deputado Coelho, desistiu e arrumou a vassoura.Talvez, tenha sido por motivos idênticos aos apontados a outro deputado madeirense, muitos anos antes: Foi já depois do 25 de Abril, quando a Madeira passou a ter autonomia. Na Assembleia Legislativa da RAM, o "camacheiro" Filipe Mota, infelizmente já falecido, que foi deputado do PS-M, e chegou a ser vice-presidente da ALM, disse um dia, que o PS-M, precisava de uma vassourada. Já naqueles tempos, logo a seguir ao seu nascimento, o PS-M precisava de uma limpeza; o que vêm ao encontro de um ditado popular: "Quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita". Ou como ali se diz: "Quem nasceu lagartixa nunca chega a jacaré". O bom do Filipe Mota, era de baixa estatura por causa de uma notória deficiência física. Nem por isso, um jornal local, deixou de o caricaturar, pequenino, agarrado a uma vassoura enorme, com a seguinte legenda: "A vassoura para limpar o PS (M) é demasiado grande para o Filipe".

 

Maus há muitos, agora gente que alimpe...


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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
TRIBALISMOS

Alberto João, afirmou há dias, não sentir qualquer tipo de afecto por gente de outras latitudes. Ninguém lhe pediu, e qualquer pessoa de bom senso, que conheça bem a figura em questão; não só dispensa os seus afectos como os rejeita. Ontem, rejeitou-os Sócrates e hoje rejeita-os Passos Coelho. Nesta latitude, o seu partido não o quer para nada e a oposição detesta-o. Conclusão: conversa fiada para consumo interno.

 

Sendo o Homem um animal de afectos, grande é a limitação de um homem que não sente, nem têm afectos, fora da sua tribo.

Enfim, produto da escola do "orgulhosamente sós", que "são aqueles que no passado combateram o futuro", como disse um dia Mário Castrim.

 

 


sinto-me pirata: Xaramba


Domingo, 13 de Novembro de 2011
PILARES ABALADOS

"OS PILARES DA TERRA" é uma obra literária genial, escrita em dois volumes, da autoria de Ken Follett. Todo o extraordinário enredo gira à volta da construção de uma catedral, na Inglaterra do século XII mergulhada numa guerra civil  pela disputa do trono .

 

Em "OS PILARES DA TERRA", tal como no mundo dos nossos dias, há mais vilões que heróis. Em "OS PILARES DA TERRA" o bispo Waleran sobe às alturas por caminhos ínvios...e cai. À nossa volta, vêem-se poucos padres Philip e inúmeros Waleran`s armados em pavões que tardam em cair. Já os pilares do mundo parecem prestes a ruir.

 

Com gente desta: quo vadis Mundo?




Sábado, 22 de Outubro de 2011
A ESTRADA DA VIDA

Tantas vezes quis partir

E tive sempre de ficar

Mais tarde quis desistir

Quando tive de abalar

A estrada da minha vida,

é uma permanente caminhada.

Não sei se o meu porto é uma partida,

se é um cais de chegada.

 


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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011
PERDOAI-LHE SENHOR...

                                                    

 

 

Não são meia dúzia de anos de frequência de uma universidade, por melhor que ela seja, que mudam a essência de alguém. Da mesma forma, nunca foi nem será, o vergonhoso subsídio de cerca de 11 mil euros por dia, garantia de boa informação ou sequer de algum jornalismo de jeito: muito pelo contrário neste caso. 

11 mil euros por dia, também não compram inteligência para nenhum escriba do regime, porque é coisa que não há à venda no supermercado.

 

Segundo os escribas do jornal de propaganda do regime, sair do governo de Lisboa e eventualmente vir a fazer parte do governo da sua terra, é ir de cavalo para burro. E depois dizem que gostam da sua terra e que a defendem.

 

Conheci em tempos um italiano que costumava dizer com alguma frequência: mais vale ser pavão um dia do que galinha toda a vida.

 

Mas dizem mais os escribas: Que há alguém da Oposição que já foi cavalo; coisa que não dizem de si próprios. Eles lá sabem porquê.

 

 


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Sábado, 8 de Outubro de 2011
A GRANDE RESSACA

Na segunda-feira, aqui na Madeira, é o primeiro dia de uma ressaca de "caixão à cova". Terminada a bebedeira eleitoral, segue-se a realidade nua e crua, seja qual for o resultado eleitoral deste domingo. Vai ser altamente doloroso e não há pílula do dia seguinte que nos valha.

 

 


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Sábado, 24 de Setembro de 2011
A INSOLVÊNCIA DA AUTONOMIA

Ao fim de mais de três décadas de governação do grande líder  a Autonomia encontra-se à beira da falência. A vergonha que era regional e nacional, ultrapassou fronteiras e internacionalizou-se. Na imprensa internacional chamam à Ilha, desonesta. Não meus senhores! A Ilha não é desonesta! A Ilha não é um homem e um punhado de seguidores interesseiros e bajuladores. As gentes desta Terra são gente do melhor. Gente trabalhadora, simpática e boa, que vota e acredita no que lhe dizem. Que se deixou ofuscar pelo brilho do betão. Um povo que acredita no partido, como a religião perfeita que não há. Ingénua? Também. Mas os ingénuos são normalmente boa gente.

A esperteza saloia, o oportunismo, a chantagem, o insulto, a bebedeira constante dos arraiais e das inaugurações: enganaram este povo extraordinário e levaram esta Região a este estado de vergonha.

 

O grande líder adjetiva de incompetentes todos os Silva Lopes deste paciente país que criticam as suas bazófias. Orgulhoso e muito cioso da sua autonomia (e da imunidade do Conselho de Estado): de corda ao pescoço, pede ao "Retângulo" que lhe faça um plano de austeridade, para resolver a desesperada situação da Região, fruto da sua desregulada governação. Que maior prova da falência das suas políticas e da sua incompetência?!

 

Os iluminados seguidores de antes, que tudo sabiam e tudo explicavam, que justificavam todas as bacoradas em nome da defesa da Região: hoje nada sabem acerca de buracos. Até o partido nada sabia. Apagou-se-lhes a todos o farol, não resta sequer uma candeia. Viraram todos Candelária.

 

Como em tudo nesta vida, é tudo até um dia. Durante largos anos o grande líder usou um fio de cabelo comprido de um dos lados da clareira para esconder a própria careca; hoje, foi o próprio obrigado a descobrir a sua própria careca. No estertor do regime, o grande líder, estrebucha, ameaça e usa a ação psicológica do tempo da guerra colonial para enganar o povo e disfarçar a sua grande culpa. Mas até o grande líder, cuja forma e saúde já não é o que era: já não diz coisa com coisa. Ontem, disse que não divulgou a continuação das obras e o consequente endividamento para que o Teixeira dos Santos não penalizasse mais a Região. Hoje, diz que nunca teve intenção de ocultar a dívida.

 

Tal como um barão arruinado, que não consegue baixar o nível de vida: o grande líder apesar de completamente "embeiçado"*  continuou a "abrasar"* dinheiro à fartazana e não têm culpa de nada.

 

*Embeiçado = Sem dinheiro, teso, falido

*Abrasar = Estoirar dinheiro, gastar à bruta, queimar

 

 


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Terça-feira, 19 de Julho de 2011
ARRAIAL

 

Na América, Barack Obama tem-se visto negro para dar conta das contas do país. Em Itália, as coisas estão de tal modo que o primeiro-ministro Berlusconi se viu obrigado a uma forte contenção nas suas faustosas orgias. Em Espanha, o primeiro-ministro Zapatero vê-se a contas com um par de botas dos diabos. Cá entre nós, Passos Coelho está a passar as "passas do Algarve" para explicar que tendo dito que não aceitaria mais aumentos da carga fiscal, logo de entrada tenha arranjado um imposto extraordinário.

Na Região Autónoma da Madeira, que é um cantinho do céu  e até é habitada por um povo superior; não há qualquer problema: aqui é arraial todos os dias. Ele é o de Santo António, o de S. João, o de S. Pedro, o do Monte, o arraial permanente e sempre surpreendente da ALM, o arraial de um sítio qualquer, um arraial de porrada no Penedo do Sono, no Porto Santo, ou em qualquer sítio em Câmara de Lobos. E o maior, mais folclórico e tórrido de todos: o arraial do PSD/M no Chão da Lagoa.

 

No dia 1 de Julho, dia da Região, numa região de arraiais, este ano então foi de bota abaixo. Assim, a RAM acordou cheia de bandeiras, sinal claro de arraial. Bandeiras bonitas, de boa qualidade e bem confeccionadas, com cores bem combinadas. Não eram bem as bandeiras dos arraiais dos Santos Populares, ou da Senhora do Monte. Não eram bandeiras da Região ou do CF Os Belenenses, pois não tinham a Cruz de Cristo. Não eram bandeiras do sempre simpático "Uniãozinho da Bola" (Clube de Futebol União): eram bandeiras azul e amarelo, da defunta FLAMA. Dias depois, lá tivemos a segunda parte do arraial do dia 1 deste mês de Julho: AJJ afirma à imprensa, que se a República não resolver o problema das contas da Região, a FLAMA pode ressurgir e aponta como sinal do que dizia, o arraial do dia 1.

 

Dias depois, na ALM, Tó Fontes, deputado do PND, um pândego desengonçado e simpático, assim a descambar para o louco, e a fugir para o génio; marcou mais uma página das dramáticas sessões da "Casa", ao apresentar e desfraldar em pleno hemiciclo, uma dessas bandeiras, que acusou de ser um dos objectos do crime, do folclórico dia da Região. O austero presidente da Assembleia interrompeu o arraial

Nestes tempos de crise e abandalhamento, onde um produto pimba, parasita sem problemas um produto de qualidade e marca registada; o histórico arraial madeirense, imagem de marca da RAM, pode estar em risco de extinção tal como a obra de vime ou o bordado. Ou tal como as Juntas de freguesia e os Concelhos: em risco de redução, nestes tempos de contenção. A crise que atinge a Europa da toda poderosa Senhora Merkel e do desajeitado Sarkozy. A Venezuela do comandante Chaves e a África do Sul de Zuma, levou a que já não venham emigrantes capazes de pagar um arraial completo, com um arraial de vacas sacrificadas e transformadas em espetada. A crise, que por esta razão vai afectar o arraial madeirense e a espetada; vai arrastar consigo o vinhe seque e a poncha. A coisa está reles comum peste.

 

Cada vida é uma história e cada dia é uma vitória!

 

 


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música pirata: A Mula da Cooperativa


Sábado, 25 de Junho de 2011
GREGOS E GREGÓRIOS

Os Deuses Devem Estar Loucos.

 

Já não há dúvidas: os Deuses estão efetivamente loucos.

 

Na Grécia, pátria dos Deuses, estes, primeiro enlouqueceram e depois entregaram-na a loucos. Depois antipatrióticamente abandonaram-na e deixaram-na à mercê dos vampiros.

 

Eu que não sou endeusado a nenhum Deus, apenas tenho alguma condescendência e simpatia pelo Deus Baco; vejo com desesperada apreensão a loucura dos Deuses actuais.

 

Seria absolutamente natural que os naturais da Grécia se vissem "gregos"; mas os portugueses Senhor porque estão "gregórios", porque sofrem assim? E os loucos e implacáveis Deuses, respondem: Culpa vossa, culpa vossa!!

 

 


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Domingo, 5 de Junho de 2011
ANDAM PIRATAS À SOLTA

 

No final da tarde sabática de 4/6/11, estava eu a reflectir quando o meu "télélé", dá sinal de msg; vou ver e reza assim: "Guilherme Silva (PSD) disse na assembleia: por estes bolsos nunca passou dinheiro sujo. Responde Helder Spínola (PND): Esse fato é novo?".

O final da msg era um apelo ao voto em determinado partido que é fácil descobrir qual é; mas como eu sou um cidadão cumpridor das sofríveis leis do meu país, já nem digo justas; voltei à minha reflexão. Mas lá que há piratas, lá isso há!


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Sábado, 14 de Maio de 2011
OPINIÃO PIRATA

 

 

A grande dificuldade de escolha, no dia 5 de Junho: é que é tanto o joio, que é difícil encontrar trigo.


música pirata: ceifeira do Alentejo
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011
UMA BEBEDEIRA

 

Dizem em linguagem corrente, que o Belisário é um tipo fixe. Entrou "involuntariamente" como sempre, numa «farmácia» manhosa e foi aviando uma "receita" tal, que aquilo foi uma verdadeira overdose de genéricos, que atendendo à qualidade rasca do estabelecimento, só podiam ser marados.

Ao princípio de uma noite invernosa, saiu da «farmácia» completamente anestesiado. Sem qualquer protecção: em mangas de camisa, com o camisola pelos ombros, pelo lado esquerdo da estrada, debaixo de uma chuva quase sem intervalos; com uma alegria no corpo que nem no dia do seu casamento. Fustigado pela chuva, impávido e sereno; caminhava e cantava em direcção à cidade que dista alguns quilómetros. No mesmo sentido, mas na faixa da direita, como é dos regulamentos; aos comandos da sua viatura, surge o Pirata. Abre a janela e apanha com uma forte saraivada de chuva, no frontal. Boa noite bebedeira que canta! O Belisário sem olhar à direita, e portanto sem identificar o provocador; curvado para a frente, já tão encharcado por fora como por dentro; fez uma ligeira paragem, apenas enquanto respondia, e com o braço direito no ar, indicador espetado para os céus, respondeu: Vá lá para o céu! O Pirata volta à carga: Vá lá para a tasca! O Belisário repete a paragem sem olhar à direita, com o braço direito e o correspondente dedo indicador, espetado pelo meio da chuva acima, avisa: Assim vou-lhe falar mal! E recomeçou a andar e a cantar. Divertido como um louco, o Pirata, seguiu o seu caminho e tirou uma conclusão: há bebedeiras que mesmo com carga a mais, são educadas, e perante o abuso, avisam primeiro antes de descarregar a artilharia de adjectivos sobre o provocador. 


música pirata: Já tás cos copos


Terça-feira, 12 de Abril de 2011
É MUITO TEMPO

Como primeiro-ministro, Cavaco Silva foi o homem dos álibis e dos tabus. Como Presidente, Cavaco Silva é coerente com Cavaco PM.

 

Cavaco Silva foi primeiro-ministro durante dez anos, oito dos quais com maioria absoluta. Ninguém depois da revolução de Abril governou durante tanto tempo e em condições tão favoráveis. Ninguém como ele recebeu tanto dinheiro da então CEE e ninguém como ele vendeu tanto património do Estado. Com a abundância do dinheiro da Europa e das privatizações, fez a segunda ponte sobre o Tejo e o Centro Cultural de Belém e espalhou alcatrão pelo país. Os portugueses ofuscados pelas obras e pelo desafogo financeiro do país, não repararam que ele chegara ao poder, como diz o povo, "sem saber ler nem escrever" e começara a "chover" dinheiro da CEE em Portugal, sem que Cavaco tivesse feito algo de relevante por isso.

 

Dez anos, é muito tempo para se fazer aquilo que é prioritário. Dez anos é muito tempo para se fazer tão pouco. Dez anos é muito tempo para a nossa memória.

Em dez anos, Cavaco Silva não resolveu os velhos problemas do país e em muitos casos agravou-os. Não só não melhorou o seu funcionamento, como agravou ainda mais a pesada máquina do Estado.

Ao fim de dez anos, o país estava farto da arrogância de Cavaco e rejeitou-o para Presidente da República preferindo Jorge Sampaio. Dez anos depois, e dez anos é muito tempo para a nossa memória; os portugueses elegeram-no PR.

Sócrates é o ultimo grande culpado pelo actual estado da Nação. Cavaco Silva é o maior culpado. Mais ninguém depois do 25 de Abril foi PM, durante dez anos. Mais ninguém governou em condições tão favoráveis, dez anos seguidos e duas maiorias absolutas; dinheiro "à fartazana". Dez anos é muito tempo.

Na noite da sua reeleição como PR, Cavaco Silva, que devia marcar o seu sentido de Estado promovendo a união dos portugueses, neste momento difícil da Nação, mostrando que a campanha acabara e agora era o Presidente de todos os portugueses: Cavaco Silva usou o seu discurso para um ajuste de contas com os seus opositores na disputa presidencial. Cavaco Silva que devia ter aproveitado a campanha eleitoral, para dizer aos portugueses, de forma clara, o que pensava do Estado da Nação e do desempenho do governo; é para isso que devem servir as eleições, para esclarecer os cidadãos: Cavaco Silva usou a tomada de posse, para dizer o que não tivera coragem na campanha eleitoral. Sócrates, sabendo qual a receita do FMI, que ainda recentemente foi aplicada à Grécia, sabendo também, que cá dentro, muito dificilmente lhe aprovam mais um PEC, vai à socapa, apresentá-lo a Bruxelas, para receber o apoio da CE e pressionar cá dentro. Como Sócrates não passou cavaco à AR, à oposição e ao PR, se tivéssemos um PR à altura da situação, Sócrates ainda não teria aterrado na Portela, no regresso de Bruxelas e já estaria convocado para ir a Belém dar contas ao Presidente da República e levar um "puxão de orelhas". Se tivéssemos um PR à altura, este não usaria o álibi de que tudo se passara tão rápido que lhe retirara capacidade de intervenção. Se tivéssemos um PR à altura do momento que vivemos, este não inventaria álibis dizendo que não tem capacidade de intervenção na actual situação, pois não governa. Se tivéssemos um PR à altura das circunstâncias isto não teria acontecido.

Presidente O Presidente da República é, e deve ser sempre, o mais alto magistrado da Nação, que influência, que promove o entendimento entre as pessoas e os partidos. Quem melhor que o "árbitro", alguém imparcial, acima dos partidos para fazer a ligação?

Quando terminar o mandato agora iniciado, Cavaco Silva terá cumprido dez anos como PM e dez como PR. Se dez anos é muito tempo, vinte anos é muito mais tempo, para tão pouco.

Não é na bonança, mas sim quando estala  a borrasca, que se vê a competência e destreza do comandante do navio.

Um forte rei, faz o fraco povo, forte. E um fraco rei, faz fraco, o forte povo.




Quarta-feira, 30 de Março de 2011
ENTALADOS

Angela Merkel, pode não ser uma senhora bonita, bondosa e simpática. Angela Merkel, pode ser até o diabo de saias, mas não foi ela que colocou Portugal nesta terrível situação. Merkel, após o chumbo do PEC IV, disse apenas o óbvio, a verdade: A UE quer é que Portugal cumpra as regras comunitárias com este ou outro primeiro-ministro. Podia ter sido mais dura e antipática, e ter dito, que Portugal seria obrigado a cumprir as medidas do rejeitado PEC IV, aplicadas por este ou outro primeiro-ministro ou pelo FMI; que era igualmente verdade. Um primeiro-ministro não é um país; e os nossos credores querem é que lhe dêem garantias de que lhe pagam. Pouco ou nada lhe importa, se os cheques são assinados por Teixeira dos Santos e entregues por Sócrates ou por um qualquer Catroga e por Passos Coelho. Sócrates, sabia que o limite temporal do seu governo seria o próximo Orçamento de Estado, que não seria aprovado e levaria à sua demissão. Esta perspectiva foi agravada com o discurso de Cavaco Silva na tomada de posse. Cavaco, afirmou na campanha eleitoral, que se Portugal fosse obrigado a pedir ajuda ao FMI, é porque o governo tinha falhado. Qual a forma de Sócrates evitar pedir ajuda ao FMI? Aplicar ele, as medidas do FMI. Sabendo da dificuldade, para não dizer impossibilidade, de na AR a oposição lhe aprovar um novo PEC, depois de garantir em todos os anteriores que eram suficientes e ter falhado em todos: foi a Bruxelas apresentar o PEC IV, sem passar cavaco ao autêntico e à AR, para mostrar determinação e coragem aos seu parceiros europeus e pressionar Cavaco e oposição de que o PEC era absolutamente necessário e que era também essa a opinião dos nossos parceiros europeus, incluindo Durão Barroso, presidente da CE. Dirão, que Sócrates se "entalou", mas "entalou" também o líder do maior partido da oposição e provável próximo primeiro-ministro. Passos Coelho, já meteu os pés pelas mãos e quando chegar a primeiro-ministro (se chegar) sujeita-se a ter de aplicar medidas mais duras do que as do PEC IV, que chumbou. Passos Coelho, disse há dias que prefere mil vezes aumentar o imposto sobre o consumo, do que "tocar" nas pensões mais baixas. Vamos lá a ver a diferença: Sócrates reduzia as pensões mais reduzidas: os mais desfavorecidos ficavam sem dinheiro para ir ao supermercado. Passos Coelho não toca nas pensões mais baixas, mas aumenta o IVA. Os mais desfavorecidos, com a reduzida pensão intacta, vão ao supermercado, mas com o aumento dos preços, não têm dinheiro para comprar nada. 

Fartos das velhas mentiras de Sócrates, aceitamos mentiras novas.


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ALÍVIO CARREGADO

Ficámos entusiasmados com as obras de Cavaco, que "nadava em dinheiro" proveniente da CEE e das privatizações, e demos-lhe duas maiorias absolutas. Ao fim de dez anos, ficámos aliviados por ele ir embora.

Alinhámos na bonacheirice e no diálogo de Guterres, e sentimo-nos mais aliviados, quando ele se demitiu e com aquilo que pensámos ser o fim de uma situação pantanosa.  

Tão crédulos, até creditámos que Durão Barroso ia baixar os impostos como prometera; mas não sentimos qualquer saudade, quando ele nos abandonou e fugiu para Bruxelas.

Aceitámos o "obreiro" Santana Lopes e o "feirante"  Paulo Portas; e foi um alívio quando os vimos pelas costas.

Acreditámos na energia  e determinação de Sócrates; e hoje achamos que há muito devia ter "cometido" o quarto PEC(ado). Já antes, com Mário Soares se passara o mesmo, mesmo antes de gritar-mos "Soares é fixe", sentimos um certo alívio quando o despejámos de São Bento, por duas vezes. Numa delas, o alívio foi recíproco: Soares num metafórico desabafo, afirmou: "Venho do Bairro Alto cozidinho de facadas".

Com a partida de Sócrates, como em todas as outras partidas; ficámos mais aliviados, mas em nenhuma delas pudemos suspirar de alívio. É que, depois de todos os alívios, verificámos que o país não ficou melhor. É, assim, uma espécie de alívio carregado, deste povo (des)enganado.                                                                   


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Quinta-feira, 24 de Março de 2011
CHAMAM-LHE CRISE POLÍTICA

 

...E ao quarto PEC(ado), Sócrates foi crucificado.


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Quarta-feira, 23 de Março de 2011
E O AZAR É NOSSO

O antigo atleta, saltador de barreiras, Anibal Cavaco Silva; está em tão má forma nos dias de hoje, que não têm velocidade para acompanhar a situação. Desculpa-se, que tudo se passou demasiado rápido.


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